O presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal, Eugénio Fonseca, defende que o “défice de participação das pessoas na vida comum” constitui um “novo estilo de pobreza” no distrito. Segundo o presidente da Cáritas, os setubalenses “resignaram-se com a crise económica” e tornaram-se “passivos e pouco participativos na sociedade”.
Eugénio Fonseca acredita, no entanto, que “esta não deve ser a melhor forma de enfrentar a crise”. “Cada um tenta defender-se, por um lado, e torna-se fácil cruzar os braços e resignar-se, por outro lado”, refere. Mas as pessoas “não podem estar à espera que a solução venha de fora”. Por isso, apela aos setubalenses para serem “protagonistas da solução para a crise”, e também que “lutem contra a resignação e sejam mais participativos”.
O responsável sublinha que os impactos da crise que o país atravessa “não são tão visíveis como em outras crises, nem as pessoas têm a percepção real da crise”. Esta situação deve-se ao “clima de resignação” instalado, mas também ao facto de, actualmente, existirem “mais instituições de suporte social que amortecem os impactos da crise”. Com efeito, Eugénio Fonseca revela que “são cada vez mais as pessoas que recorrem aos bancos alimentares e outras instituições de solidariedade social”.
Para o presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal, os impactos sociais do momento actual “são os mesmos de todas as crises”, mas com um “novo dado preocupante”. É que, segundo afirma, “é cada vez mais difícil aos jovens licenciados acederem ao mercado de trabalho”. Estes jovens vão, assim, “engrossar a já elevada taxa de desemprego do país”.
A taxa de desemprego é, na verdade, “o grande indicador de uma crise”, pois “a falta de emprego dá origem a um grande número de fenómenos sociais”, como a pobreza, a marginalidade, o aumento do ócio, entre outros. Setúbal é um dos distritos mais afectados pelo desemprego, até porque “é constituído, maioritariamente, por pessoas de classe média baixa”, cujo único sustento é o seu posto de trabalho.
Quanto à retoma da economia portuguesa, Eugénio Fonseca espera que “aconteça em breve”, embora “dependa muito da conjuntura internacional”. Actualmente, uma das grandes ameaças à retoma parece ser a instabilidade no mercado do petróleo que “pode ter impactos em Portugal”. No entanto, defende que “o crescimento económico é uma componente estruturante, mas não é a única importante para o desenvolvimento”. Além disso, afirma que é preciso “reflectir sobre o modelo económico que queremos para a região”. Neste contexto, defende uma economia “assente nas Pequenas e Médias Empresas e na diversificação do tecido produtivo”.
Vera Mariano - 20-05-2004 10:54
Apesar de datar de 2004 este comentário á situação social vivida em setúbal nao está de todo desactualizado, façamos então algo para o mudar!
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